ambos mundos

ambos mundos, 2005


fotolivro, 22,5 x 21,5 x 1,2 cm, 40 páginas, tiragem: 10 exemplares 


Em julho de 2005, Cristine de Bem e Canto viaja a Cuba como alguém que procura ver um outro mundo. Percorre as ruas de Havana em busca de uma vida simples, daquela poesia que ainda pode se exalar pelo ar da ilha. Lança o olhar sobre a rotina dos bairros da cidade, sobre os hábitos dos moradores, sobre uma utopia retirada da história atual.


A ambiguidade salta imediatamente aos seus olhos: nas esquinas encontram-se ruínas, marcas de um tempo singular que agora convive com os artifícios da indústria turística internacional. Porém, na fotografia de Cristine de Bem e Canto a constatação de “ambos mundos” não atesta a existência da saturação visual tão comum nos ambientes emblemáticos do capitalismo.


A Havana velha de Che é emancipada do seu mito numa atmosfera que fortalece a desritualização da fotografia, libertando-a de sua aura, ao mostrar o que ficou extraviado naquele famoso complexo colonial de 1511. Nele, o Malecón torna-se a consciência de um tempo balizado pela terra e pelo mar, no qual o isolamento fortalece os laços entre os que por ali resolveram enveredar.


Entre imagens de conteúdo gráfico e colorido exuberante, como nos vitrais de La Casona, o tempo segue lento para o ciclista contemplado através do letreiro la entrada es por la otra puerta. O lado espirituoso da artista alerta sobre uma poesia nada óbvia.


Virgínia Gil Araujo