18×24

18×24, 1993


fotografia analógica, ampliação sobre papel de fibra, 18 x 24 cm


exposição individual na sala JB Scalco, Solar dos Câmara, Porto Alegre


Em 1992, era aluna do Instituto de Artes da UFRGS, foi neste ano que visitei o ateliê de Iberê Camargo. cursava a disciplina de pintura com Mariza Carpes, e durante o semestre nossa turma foi conhecer o artista. Quando entramos no ateliê da Rua Alcebíades Antônio dos Santos, a primeira coisa que pensei foi que o lugar era bem iluminado, e que um filme de ISO 400 seria suficiente para fotografar. Na hora da despedida entreguei um bilhete para Iberê: gostaria de te fotografar, mas você tem que querer também, se não as fotos não ficarão boas. Meu telefone estava escrito no bilhete. Uma semana depois ele me ligou. Do espaço lembro que era amplo e muito bem organizado. Havia um armário de madeira escura com pequenos compartimentos que separavam as caixas dos tubos de tinta. Mas o que mais me marcou foi ver como se dava o ato de pintar. Era uma força carregada de energia vital que guiava o corpo em constante movimento. Um impulso de energia da alma, invisível e sem forma, que animava o corpo. Um corpo que sentia a pintura. Lembro de ser tocada pelas palavras de Henri Cartier-Bresson, “fotografar é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração”. E de acompanhar, com minha câmara analógica Nikon FM-2, Iberê Camargo pintando, pensava muito em passar despercebida, parecer invisível. Sabia que vivia uma experiência inesquecível que se tornaria ausente em segundos.