força
força, 2017-2023
fotografia digital, 70 x 110 cm, 40 x 70 cm e 30 x 40 cm
A diáspora feminina, foco do trabalho que Cristine de Bem e Canto desenvolve há dois anos, talvez seja o primeiro processo de exclusão de um grupo dentro de um sistema social estabelecido por regras verbalizadas ou não. A imposição do poder masculino como norte da sociedade e a consequente marginalização das mulheres no processo decisório e em atividades de relevância intelectual, social e econômica, levou-as à necessidade de encontrar um novo espaço de atuação, uma nova terra onde viver, já que lhes foi negada a autonomia e o respeito primordiais.
Esse êxodo não atravessou fronteiras geopolíticas, mas existenciais. limitadas ao espaço físico de suas casas, ao contexto familiar e a poucas atuações sociais, todas elas sob forte controle moral, as mulheres buscaram dentro de si o poder perdido. Num longo processo de adaptação, submissão, violência e aglutinação de forças, chegou o momento da reconquista do espaço perdido, o que, inevitavelmente, passa pela reconstrução da autoestima, pela integridade física e moral e pelo embate com a ordem ainda dominante.
Apesar dos avanços do último século, as condições de vida permanecem desiguais no âmbito do trabalho, com menos acesso a emprego e salários menores e, no ambiente familiar, a mulher é sobrecarregada a partir de uma injusta divisão de tarefas e do abandono de mulher e filhos. Sem esquecer da tragédia do feminicídio.
É essa longa história de perdas e de conquistas que Cristine retrata em seu trabalho.
Denise Nunes