anatomia

anatomia, 2019


fotografia digital impressa em papel Hahnemühle, 70 x 100 cm


exhibition at SVA/ NYC, BFA – fine arts, bio art lab


Para Emanuele Coccia, em a vida das plantas, a reprodução, na flor, deixa de ser instrumento do narcisismo individual ou específico para se tornar uma ecologia da condensação e da mistura. Segundo ele, a maioria das flores hermafroditas desenvolve um sistema de autoimunização para evitar a autofertilização, uma defesa contra si mesmas que lhes permite melhor se abrir ao mundo. A sexualidade é a estrutura e o conjunto dos encontros com o mundo que permitem a cada coisa se deixar tocar por outra, progredir em sua evolução, se reinventar, tornar-se outra no corpo da semelhança.


Ao estudar a reprodução das plantas angiospermas, cuja principal característica é a presença das flores, descobri que 95% delas são hermafroditas. Isto me instigou a penetrar em seu interior e aprender com sua anatomia. A flor é o órgão reprodutivo da planta e é bissexual quando possui órgãos masculinos e femininos. O órgão masculino é chamado de androceu e é constituído pelos estames, cuja função é a produção do pólen; o órgão feminino é chamado de gineceu, constituído pelos carpelos e, esses, são compostos pelo estilete, estigma e ovário. Enquanto os animais superiores dispõem de órgãos reprodutores estáveis e únicos, a planta constrói seus apêndices de reprodução em massa inumerável e logo se desfaz deles. A flor vive sua beleza por instantes, depois de fecundada murcha e morre.